O objetivo do blog é divulgar os dispositivos alternativos na rede de Saúde Mental e propagar a ideia da luta antimanicomial. A partir da democratização da psiquiatria, os profissionais de saúde mental visam trabalhar de forma interdisciplinar no âmbito do novo contexto da psiquiatria renovada.

domingo, 28 de março de 2010

Serviço Social e Saúde Mental . Parte 1

O Serviço Social atua em diversos programas e projetos nas instituições psiquiátricas e sua prática tem se modificado em função das transformações pelas quais tem passado à assistência psiquiátrica no Brasil. A pluralidade de sua atuação remete a uma complexidade que torna potencialmente contraditória. Além disso, nem sempre os programas do estabelecimento psiquiátrico têm sua homogeneidade.

As instituições psiquiátricas, em geral, não dão resposta à demanda global do paciente, aos seus problemas na totalidade. No caso dos transtornos psíquicos, vários aspectos interferem no bom andamento do restabelecimento mental e não são tratados pela psiquiatria; daí outros profissionais são acionados. Quando certos aspectos do problema global situam-se na área social, O Serviço Social é chamado a atuar. Porém, podemos observar que no Movimento de Reforma psiquiátrica a problematização teórica e o leque de programas vão além da assertiva acima.


Na psiquiatria tradicional, os “outros” profissionais atuam no sentido de complementar o trabalho dos psiquiatras de forma atingir a melhor realização da finalidade institucional, a recuperação do paciente. O assistente Social dentro desse tipo instituição trabalha com a mesma finalidade da psiquiatria , mas garantindo a eficácia dos profissionais psiquiatras pela ampliação do âmbito da intervenção , pela garantia que o paciente se encaixe na demanda à qual a instituição de assistência psiquiátrica está respondendo , isto é , para garantir o tratamento principal , o tratamento psiquiátrico.. Na ocorrência de qualquer fato que interfira no planejamento do atendimento psiquiátrico e que seja considerado como fenômeno social ou contextual, o assistente social é convocado a recolocar o paciente no processo de trabalho organizacional considerado “normal” pelo estabelecido psiquiátrico. O Serviço Social intervém em tudo que escapa à racionalidade desse processo no que tange à situação objetiva (dita social) ou aspectos contextuais diversos (é por isso que alguns assistentes sociais em Saúde Mental declaram “servirem para tudo”, serem “quebra-galhos”). Essa prática funcional a lógica psiquiátrica é antiga no Serviço Social em Saúde Mental. Ela é modelo de Serviço Social tradicional desde os anos de 1950. Desde dessa época, “tudo que não é concebido como diretamente associado com o especificamente psíquico e somático (...) é empurrado nestas para o Serviço Social”.

Em instituições com serviços alternativos condizentes com o Movimento de Reforma Psiquiátrica, o Serviço Social também age no sentido de contribuir para o melhor tratamento psiquiátrico, só que este último é redefinido para incluir as questões advindas de rupturas do usuário com o meio social. O melhor tratamento psiquiátrico também é o melhor tratamento social, assim são objetivos da reabilitação psicossocial. De modo que o Serviço Social é demandado para, junto com outros profissionais, intervir sempre que houver ruptura por parte do paciente, tanto à sua integração institucional (à psiquiatria renovada), quanto à integração social. Por exemplo, se um hospital-dia prescreve um tratamento em que o paciente deve ir todos os dias ao centro de atenção psicossocial e este não tem dinheiro para passagem, o Serviço Social, com o intuito de o usuário se encaixar no planejado, intervém para tentar conseguir passes de ônibus gratuitos.

Fonte: Livro Serviço Social e Saúde Mental: uma análise institucional da prática. Professor José Augusto Bisneto – ESS/UFRJ.

8 comentários:

  1. Gostaria de divulgar um serviço em saúde mental para os egressos dos hospitais de custódia de São Paulo, eu fiquei sabendo e vejo que muita gente não conhece, fica na Rua Francisca Miquelina, 232, no centro de São paulo, lá eles encaminham para trabalho, cursos e serviços de saúde mental. o tel de lá é 31071025. Acho importante conhecermos esses serviços.

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  2. Nossa, gostei bastante do texto. Estou me formando esse semestre em serviço social na UFSC, e meu tcc é sobre saúde mental na garnde Florianópolis, estou cada vez mais apaixonada pelo tema. Parabéns!

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  3. vanderlan ramos silva21 de maio de 2010 18:41

    sou recreador so caps de cachoeiras de macacu e de xez en quando fazemos passeio uma forma de desenvolver a recreação informativa meu nome e vanderlan

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  4. Muito bom o texto, estamos terminando o 5º semestre de serviço social e nosso processo de extenção é sobre a saúde mental...Fizemos um super trabalho sobre isso e estamos esperando um aval da faculdade para podermos colocá-lo em prática. Muito bom essa nossa profissão.

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  5. adorei o texto estou fazendo pós em saúde mental na PUC de Divinopolis MG. o curso é otimo, os professores sao maravilhosos como Geraldo Garozzi, Maria wILMA,....

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  6. creio que o assistente social e mais do que se espera, e a alma da saúde mental, por isto, ele serve para tudo. Gostei da maneira clara que o autor o colocou.Parabéns.

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  7. Adoro esse livro de Bisneto e bem critico, foi uma das minhas principais bases, juntamente com Foucault, Vasconcelos, Rosa, para realização do meu projeto nessa area que tanto sou apaixonada!

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  8. Não obstante, o serviço social se apresentar como trabalho complementar, acredito que tal afirmação acaba resgatando a centralidade do saber médico em detrimento do trabalho multiprofissional. A proposta de atenção psicossocial vai além de um tratamento, mas atinge o cuidado, o acolhimento que deve ser realizado pela equipe com vistas ao sujeito e não ao medico.

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